
Sejam
Bem vindos
Apalavrar
Tratado geral das grandezas do ínfimo ~Manoel de Barros
A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.
escolha de Carlos Engler- Pinto
Pseudônimo chamado amor
Dê gentileza, uma palavra amiga se alastra feito um vírus do bem. Tenhamos a sensibilidade, Complacência, a ternura de sentir que muitas vezes nossos amigos, só precisam de uma palavra carinhosa que abrande seus corações, a gentileza é uma via de mão dupla ,é uma energia no nosso universo, dê gentileza que ela generosamente volta com o pseudônimo chamado amor!!!
De Gracia Iglesias Fernandes Bonato
Faz Tempo
Faz tempo que eu me amo... Ainda que meus olhos insistam em enxergar o que eu não tenho.
De Bruna Bilecki
Natal
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.Era gente a correr pela música acima.Uma onda uma festa. Palavras a saltar.Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.Guitarras guitarras. Ou talvez mar. E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.No vento. Na chuva. Acontecia.No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.No teu ritmo nos teus ritos.No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).Todo o tempo num só tempo: andamentode poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.Na cidade lavada pela chuva. Em cada curvaacontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turvana cidade agitada pelo vento.Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa bravaacontecia. E era Dezembro que floria.Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.E era na lava a rosa e a palavra.Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
Manuel Alegre, em "Antologia Poética"
escolha de Bruna Bilecki
Nesse mundo de Apalavrar
Diversão não vai faltar Muitos amigos você vai fazer Jogar será um grande prazer
Muito feliz por ter sido convidada Pelo André Barros, ter sido indicada No grupo dos Jedis, ter entrado E no Apalavrar, terem me aceitado
Nesse grupo sentimos cordialidadeRespeito, parece uma irmandadeConvívio pode trazer boas amizadesEnergias positivas e amabilidades
Participar e jogar, é empolganteDurante os torneios, é emocionanteSe não cuidar, você pode viciarA solução é seu tempo programarTrabalho, família e laser, balancear
Ganhando ou perdendoEstratégias, sorte e perspicáciaTemos que atingir essa eficácia
O grupo dos administradoresMisto de professores e impulsoresSão nossos melhores orientadoresDas regras e bem-estar, zeladoresSó temos a enaltecer e agradecerE com suas experiências, aprender
O sonho de todo calouroPoder ganhar, vale ouroAinda tenho muito a aprenderSer um dia veterano, com prazer
De Ana Claudia Albuquerque
De todas as maneiras - Chico Buarque
escolha de Just Duarte
Monte Castelo- Renato Russo
escolha de Armando Rabelo
As Três Peneiras da Sabedoria- Sócrates
Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:
- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras? - indagou o rapaz.
- Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, mas não tem certeza da sua veracidade, a coisa deve morrer aqui mesmo.
- Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?
- Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?
Arremata Sócrates:
- Se passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo!
escolha de Sandra Marcia
Amor é um Fogo que Arde sem se Ver- Luís Vaz de Camões
in "Sonetos"
escolha de António Piedade
Lágrima de preta- António Gedeão
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
escolha de António Piedade
Toda Mulher- Bruno Bezerra
escolha de Terninha Lima
Pedra Filosofal- António Gedeão
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956
escolha de Ricardo Moniz e Bi Rueff
Poeta Anónimo do Sec XIV
Vindes da horta rosada e formosa,
Mas não como a outra que ia para a fonte,
Nem como aquela de cuja fronte
Irradiava luz e beijava, carinhosa.
Vosso mancebo vos espera no monte,
E se quereis que desde já vos conte,
É por essa flor que ele anseia, a ditosa
Que desfolhada foi, donzela, por mim,
Quando, recostados na erva do jardim,
Vosso segredo me haveis desvelado.
E foi em alegre e quente festim,
Que entre vossas coxas de marfim,
Descobri vosso tesouro mais guardado.
escolha de Simão Gamito
Autopsicografia - Fernando Pessoa
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
escolha de Jay Couto
Com Fúria e Raiva
(Sophia de Mello Andresen, in "O nome das Coisas")
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a for a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
escolha de Madalena Porto
Cortar o Tempo - Roberto Pompeu de Toledo
Para você, Desejo o sonho realizado.
O amor esperado. A esperança renovada.
Para você, Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas...
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes...
e que eles possam te mover a cada minuto,no rumo da sua FELICIDADE!!!
escolha de Bruna Bilecki
Soneto da felicidade - Vinicius de Moraes
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
escolha de Ana Maria Avalos
É fácil trocar as palavras - Fernando Pessoa
escolha de Just Duarte
As Palavras- Eugénio de Andrade
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos, as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
escolha de Su Zs
No Apalavrar criamos muito mais que jogos! Criamos laços!
PROJECTOS EM DESTAQUE
Estes são alguns Torneios ainda por vir

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