Sejam

Bem vindos

Apalavrar



Tratado geral das grandezas do ínfimo ~Manoel de Barros 


A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.

Meu fado é o de não saber quase tudo.

Sobre o nada eu tenho profundidades.

Não tenho conexões com a realidade.

Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.

Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).

Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.

Fiquei emocionado.

Sou fraco para elogios.

escolha de Carlos Engler- Pinto

Pseudônimo chamado amor


 Dê gentileza, uma palavra amiga se alastra feito um vírus do bem. Tenhamos a sensibilidade, Complacência, a ternura de sentir que muitas vezes nossos amigos, só precisam de uma palavra carinhosa que abrande seus corações, a gentileza é uma via de mão dupla ,é uma energia no nosso universo, dê gentileza que ela generosamente volta com o pseudônimo chamado amor!!!

De Gracia Iglesias Fernandes Bonato

Faz Tempo

Faz tempo que eu me amo...
E mesmo quando as circunstâncias ao redor, querem me provar o contrário.

Faz tempo que eu me amo... Ainda que meus olhos insistam em enxergar o que eu não tenho.

Faz tempo que eu me amo...
Pois só eu sei por tudo que passei, cada estrada que andei e quem eu me tornei.

Faz tempo que eu me amo...
E continuo me apaixonando, pois posso olhar para trás e ver tudo que eu sobrevivi.

Faz tempo que eu me amo...
Pelo simples fato de sorrir. Pela capacidade de agradecer. E pelo privilégio de engrandecer à Deus.

Faz tempo que eu me amo...
E te convido para fazer o mesmo. Ame-se!
Ame a vida. Ame a Deus. Ame aprender. Ame ajudar. Ame, ame, ame.

  De Bruna Bilecki

Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar. 
E acontecia. No vento. Na chuva. 
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
No vento. Na chuva. Acontecia.
No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.Natal Natal (diziam). E acontecia.

Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

 Manuel Alegre, em "Antologia Poética"

escolha de Bruna Bilecki

                                                                       


Nesse mundo de Apalavrar

 Diversão não vai faltar
 Muitos amigos você vai fazer 
 Jogar será um grande prazer


 Muito feliz por ter sido convidada
 Pelo André Barros, ter sido indicada
 No grupo dos Jedis, ter entrado
 E no Apalavrar, terem me aceitado


Nesse grupo sentimos cordialidade
Respeito, parece uma irmandade
Convívio pode trazer boas amizades
Energias positivas e amabilidades


Participar  e jogar, é empolgante
Durante os torneios, é emocionante
Se não cuidar, você pode viciar
A solução é seu tempo programar
Trabalho, família e laser, balancear


Ganhando ou perdendo
Estratégias, sorte e perspicácia
Temos que atingir essa eficácia


O grupo dos administradores
Misto de professores e impulsores
São nossos melhores orientadores
Das regras e bem-estar, zeladores
Só temos a enaltecer e agradecer
E com suas experiências, aprender

               

O sonho de todo calouro
Poder ganhar, vale ouro
Ainda tenho muito a aprender
Ser um dia veterano, com prazer


De Ana Claudia Albuquerque



                                                                         


 De todas as maneiras - Chico Buarque 


De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora,

Tá lindo lá fora
Larga a minha mão,

Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora,

Tá lindo lá fora
Larga a minha mão,

Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão


       escolha de Just Duarte

Monte Castelo- Renato Russo

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É só o amor, é só amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem
Agora vejo em parte
Mas veremos face a face
É só o amor, é só amor
Que conhece o que é verdade
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria


escolha de Armando Rabelo

As Três Peneiras da Sabedoria-  Sócrates

Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, mas não tem certeza da sua veracidade, a coisa deve morrer aqui mesmo.

- Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?

- Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

Arremata Sócrates:

- Se passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo!

escolha de Sandra Marcia

Amor é um Fogo que Arde sem se Ver- Luís Vaz de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói, e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer. 

É um não querer mais que bem querer; 
É um andar solitário entre a gente; 
É nunca contentar-se e contente; 
É um cuidar que ganha em se perder; 


É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata, lealdade. 


Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? 

 in "Sonetos"

escolha de António Piedade

Lágrima de preta- António Gedeão

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

escolha de António Piedade


Toda Mulher- Bruno Bezerra

Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada.

escolha de Terninha Lima

Pedra Filosofal- António Gedeão

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956

escolha de Ricardo Moniz e Bi Rueff



    Poeta Anónimo do Sec XIV

Vindes da horta rosada e formosa,

Mas não como a outra que ia para a fonte,

Nem como aquela de cuja fronte

Irradiava luz e beijava, carinhosa.

Vossos olhos brilham, por gulosa,

Vosso mancebo vos espera no monte,

E se quereis que desde já vos conte,

É por essa flor que ele anseia, a ditosa

Que desfolhada foi, donzela, por mim,

Quando, recostados na erva do jardim,

Vosso segredo me haveis desvelado.

E foi em alegre e quente festim,

Que entre vossas coxas de marfim,

Descobri vosso tesouro mais guardado.

escolha de Simão Gamito

Autopsicografia - Fernando Pessoa


Finge tão completamente 

Que chega a fingir que é dor 

A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve,

 Na dor lida sentem bem, 

Não as duas que ele teve, 

Mas só a que eles não têm. 

E assim nas calhas da roda 

Gira, a entreter a razão, 

Esse comboio de corda 

Que se chama o coração.

escolha de Jay Couto

Com Fúria e Raiva

(Sophia de Mello Andresen, in "O nome das Coisas")


Com fúria e raiva acuso o demagogo

E o seu capitalismo das palavras


Pois é preciso saber que a palavra é sagrada

Que de muito longe um povo a trouxe

E nela pôs a sua alma confiada


De muito longe desde o início

O homem soube de si pela palavra

E nomeou a pedra a for a água

E tudo emergiu porque ele disse


Com fúria e raiva acuso o demagogo

Que se promove à sombra da palavra

E da palavra faz poder e jogo

E transforma as palavras em moeda

Como se fez com o trigo e com a terra

escolha de Madalena Porto



Cortar o Tempo - Roberto Pompeu de Toledo


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente... "

Para você, Desejo o sonho realizado. 

O amor esperado. A esperança renovada.

Para você, Desejo todas as cores desta vida. 

Todas as alegrias que puder sorrir. 

Todas as músicas que puder emocionar. 

Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, 

que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida. 

Gostaria de lhe desejar tantas coisas... 

Mas nada seria suficiente... 

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. 

Desejos grandes... 

e que eles possam te mover a cada minuto,no rumo da sua FELICIDADE!!!

escolha de Bruna Bilecki



Soneto da felicidade - Vinicius de Moraes


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angustia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure

escolha de Ana Maria Avalos



É fácil trocar as palavras - Fernando Pessoa

É fácil trocar as palavras,
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
Difícil é interpretar os silêncios!

É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo. 


Difícil é conter sua torrente! 


escolha de Just Duarte


As Palavras- Eugénio de Andrade


São como um cristal,

as palavras.

Algumas, um punhal,

um incêndio.

Outras,

orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos, as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,

leves.

Tecidas são de luz

e são a noite.

E mesmo pálidas

verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem

as recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,

nas suas conchas puras?

escolha de Su Zs




No Apalavrar criamos muito mais que jogos! Criamos laços!

PROJECTOS EM DESTAQUE 

Estes são alguns Torneios ainda por vir

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